ico-home HOME    ico-agenda AGENDA    ico-noticias NOTÍCIAS

logo

Exportações de produtos de pesca portugueses crescem desde 2012

O facto de termos uma costa com mais de 900 quilómetros de extensão e uma zona económica exclusiva superior a 1,7 milhões de quilómetros quadrados, numa das melhores zonas do oceano Atlântico, fez com que desde sempre a pesca fosse uma arte tradicional, e que agora o mundo esteja a reconhecer a qualidade única do nosso pescado.
 
O sector da pesca está actualmente em grande recuperação, muito por via das acções de marketing das autoridades do sector que afirmam que Portugal tem o Melhor Peixe do Mundo e que, desta forma, tem levado a uma grande curiosidade do mercado internacional por este produto. Mas há ainda muito trabalho por fazer, pois como nos diz Carlos Macedo, da ARTESANALPESCA. “Apesar de termos o melhor peixe do mundo, o que é reafirmado por gente insuspeita de diferentes nacionalidades, esse potencial ainda não se traduz directamente no aumento das vendas, porque muitas das espécies capturadas pela nossa frota, ainda são desconhecidas nos mercados potenciais. Também as espécies de maior volume de captura (carapau e cavala) são bastante difíceis de preparar. Estes aspectos são obviamente contornáveis, sendo necessário investimento na divulgação das espécies, através de uma agência nacional que assuma essa empreitada, um pouco à imagem do que a Noruega faz com o salmão. Temos de facto o melhor produto, resta saber se temos essa capacidade”. Por seu turno, Luis Silvério da Associação dos Comerciantes de Pescado, considera que a excelência do nosso pescado “deriva de factores como a temperatura e profundidade das águas, grau de salinidade e oxigénio disponível e a iluminação das correntes marítimas que influenciam directamente a qualidade do peixe”. É esta diferenciação que, na opinião dos grandes chefs, tornou o peixe português especial e tem feito subir o interesse pelo peixe grosso nos mais exclusivos restaurantes do mundo.
 
Os grandes consumidores do peixe português
O valor das exportações dos produtos da pesca encontra -se numa curva ascendente desde 2012. De um modo geral, dentro da União Europeia, a Espanha continua a ser o principal destino dos produtos da pesca nacionais, seguindo-se a Itália e a França, revela Luís Silvério, que continua “fora desse raio de acção, pois as exportações dos produtos da pesca são essencialmente efectuadas para o Brasil, Estados Unidos, Canadá, Angola, Suíça e Japão. O principal cliente para peixes congelados (excepto filetes) continua a ser a Espanha que, em 2015, reforçou a sua posição em relação ao ano anterior, o que se traduziu em mais 25,2 milhões de euros; seguem-se Brasil, Itália, França, Angola e Canadá.
Falando das espécies com mais potencial de exportação, Carlos Macedo considerou “aquelas que existem em maior abundância como a Cavala e o Carapau, existindo ainda algumas que pela sua qualidade podem vir a criar nichos de mercado com um alto valor acrescentado.”. Carlos Macedo critica ainda o regime de quotas, imposto no regime de TAC’s que segundo o próprio “não acautela nem defende a especificidade da pesca nacional, quase exclusivamente de cariz artesanal”.
Já Luis Silvério considera que “muito embora os peixes azuis (sardinha, cavala e sardas) pela sua quantidade exportável continuem a ter mais expressão, também o bacalhau, camarão e polvo, assim como alguns peixes nobres (goraz, pregado, robalo, cherne e dourada) conhecerão algum incremento”.
 
2012 trouxe um aumento de 12% à exportação
Os últimos anos conheceram um aumento exponencial das exportações de peixe português. Os peixes congelados foram o principal grupo de produtos exportados, posição que, nos últimos anos, tem sido ocupada pelas preparações, conservas de peixe e preparação de ovas. Outro grupo cujas exportações se têm evidenciado foram os moluscos, onde o polvo se tem destacado.
Está traçado um quadro de optimismo para a fileira do peixe português, apoiado nas campanhas de divulgação que têm resultado em aumento de vendas, batendo sucessivos recordes de exportação. Os próximos cinco anos são decisivos, tanto no aumento das vendas para os mercados tradicionais, como na procura de outros mercados que poderão também vir a revelar-se como grandes consumidores. Segundo Luis Silvério “cada vez mais as pequenas empresas têm apostado em estar presentes em feiras internacionais que são montras por excelência e que permitem uma interacção única com um vasto leque de intervenientes. É precisamente aí que também é possível os empresários aperceberem-se onde poderão e deverão inovar, constatando nalguns casos a sublimidade dos produtos portugueses. Nesse sentido o crescimento das exportações está também associado ao sucesso e eficácia das acções externas realizadas por parte das empresas”.
Por seu turno, Carlos Macedo não quer antever com rigor o crescimento dos próximos cinco anos, mas acredita que ele será possível “mas dependerá sempre dos índices de abundância das espécies e de muitos aspetos paralelos, nomeadamente índices cambiais e outros que, na actual situação geopolítica, são difíceis de prever. Acredito que o cenário é positivo, mas difícil de prever com precisão” – conclui Carlos Macedo, da ARTESANALPESCA.
shutterstock 90950666